É Natal!!! Mas por que as emoções se afloram nesta época?


Postado em 14/12/2017   -   Categoria: PSICOTANDO

Está chegando mais um Natal, época festiva, repleta de enfeites coloridos e luminosos, de comemoração, reencontro familiar, mesa farta, renovação das energias e renascimento interno. Para alguns, a mais alegre das festas e, para outros, época de isolamento, introspecção e solidão. Festivos ou não, os dias próximos ao Natal são, quase sempre, repletos de emoções mais intensas, mesmo para aqueles que parecem não se importar com esta época.

O Natal é um tempo de Emoções, próprias do ser humano, que tem grande capacidade de sentir uma quantidade imensa de emoções em um curto período de tempo: da tristeza à alegria, do medo à realização, da raiva à compaixão, do egoísmo à generosidade. Assim, vamos experimentando o mundo não só pelo que pensamos, mas especialmente através do que sentimos.

Emoção: fenômeno cerebral diferente do pensamento, com processos neuroquímicos e fisiológicos próprios originados no Sistema Límbico, que é a porção cerebral responsável pelas respostas emocionais de base e que, simultaneamente, dirige muitos dos processos fisiológicos do corpo, o que justifica a influência das emoções na saúde física. As emoções exercem um grande poder sobre a vida do ser humano, podendo mobilizar a energia necessária para a boa qualidade de vida, mas também podendo gerar níveis de energia que desgastam a vitalidade.

A maioria das pessoas associa o Natal à sentimentos de alegria e união. Mas por que, para muitas outras, estas festas de fim de ano vêm acompanhadas de intensa ansiedade, tristeza e angústia?

Estudos mostram que cerca de 30% da população ocidental vivencia uma certa Depressão no Natal, o que é um número bastante significativo. Diversos fatores podem contribuir para tal fato, como:

- Experiências tristes do passado: perder um ente querido, especialmente em uma data próxima ao Natal, lembranças de passar esta data tão especial sozinho e episódios de brigas e desentendimentos familiares são alguns dos acontecimentos que vêm à tona na época do Natal.

- Emoções ocultas: toda família carrega consigo diversas histórias positivas e negativas, de alegria e tristeza, de amor e dor. Aquilo que é vivido por nossos familiares é transmitido às gerações futuras por meio das emoções, por exemplo, mesmo que seu avô que sofreu lutando pelo fim da ditadura não esteja mais presente, a história dele relacionada a tal luta é carregada pelas gerações seguintes e mantém-se presente no meio familiar. Assim, nesta época de (re)união familiar, essas lembranças e emoções tendem a vir à tona, aflorando as emoções e fazendo com que as pessoas fiquem mais sensíveis. Muitas pessoas também acabam lembrando-se da infância, quando não havia tantas responsabilidades, quando tudo se resolvia com um colo e tudo voltava a ser novo no dia seguinte, o que traz aquela sensação de querer voltar ao início, à inocência, ao mundo imaginário, o que já não é mais possível.

- Motivações natalinas: o Natal é uma comemoração religiosa que celebra o nascimento de Jesus, o que acaba impondo um clima de paz, amor e união. Estabelece-se uma expectativa e uma “obrigatoriedade” de que este seja um momento de perdão e fortalecimento de laços. Porém, na teoria isso parece ser mais fácil do que na prática. Nem todos conseguem passar por cima das diferenças e esquecer situações dolorosas apenas para seguir as “regras do Natal”, o que pode fazer com que o indivíduo se sinta mal por estar “errado” perante o mundo, se entristecendo e não conseguindo corresponder à pressão de expressar felicidade.

- Frustração: quando nos deparamos com um ano que chega ao fim e percebemos que diversos projetos e metas não foram realizados, é possível que surjam sentimentos de incapacidade, insegurança e culpa. Junto a isso, surge o receio de não conseguir realizar metas para o próximo ano, o que aumenta a insegurança, prejudicando a autoestima e gerando ainda mais angústia.

- Medo da rejeição: em um momento de troca de afetos, presentes e união, muitas pessoas podem ser dominadas pelo medo de não ser correspondidas em suas demonstrações de afeto, de não receber presentes, de não ter importância na vida dos outros, e assim se deprimem e podem acabar se isolando – rejeitam para não ser rejeitadas.

Apesar de tudo isso, independentemente do que você esteja vivenciando neste momento, é possível aproveitar o Natal (assim como o ano todo) para cuidar das suas emoções e assumir o controle da sua vida. Se dê de presente sua própria companhia e amor próprio, e busque a companhia de quem você ama. Assim, é possível buscar aproveitar o poder construtivo das emoções, dando-lhes uma nova atenção, com um novo ponto de vista e, assim, buscar novas vivências que possam atribuir significados e sentidos mais agradáveis à vida, com a possibilidade de construir soluções para os conflitos.

Desejo a todos um Feliz Natal e um próspero ano novo, repleto de boas notícias, realizações e ótimas emoções!