Você sabe o que é empatia?


Postado em 20/07/2017   -   Categoria: PSICOTANDO

Empatia é um termo muito utilizado em conversas cotidianas, porém, muitas vezes sem o real entendimento.

A empatia pode ser definida como a capacidade de nos colocar no lugar do outro, nas mesmas circunstâncias de vida deste outro, compreendendo sua visão da realidade, sua postura e opiniões, não a partir de nossas perspectivas, mas tentando pensar como ele, com suas crenças e valores, livre de preconceitos. É a capacidade de compreender, respeitar e entender os sentimentos, as reações e as decisões de outra pessoa com a realidade que ela vivencia.

De acordo com o escritor Augusto Cury, é uma das funções mais importantes da inteligência e demonstra o grau de maturidade do ser humano. Ela parte da aceitação, de compreender que aqueles são os sentimentos possíveis de uma pessoa na situação em que ela se encontra, mesmo que se passássemos pela mesma situação, agíssemos de outra forma. Ou seja, para mim algo pode não ter a mínima importância, quanto para o outro a mesma coisa pode ter extrema importância. Neste caso, o indivíduo empático tem a capacidade de colocar de lado a sua “escala de importância” para compreender as emoções do outro a partir da “escala de importância” deste outro.

O termo tem origem na palavra grega empatheia, que significava "paixão". Pressupõe uma comunicação afetiva com o outro e é um dos fundamentos da identificação e compreensão psicológica de outros indivíduos. Se difere de simpatia, que é uma resposta intelectual, enquanto empatia tem o sentido de fusão emotiva. Enquanto a primeira indica uma vontade de estar na companhia de outra pessoa e de agradá-la, a segunda faz surgir uma vontade de compreender e conhecer o outro. Na psicologia, por exemplo, empatia significa a capacidade do psicoterapeuta de se identificar com o paciente e saber ouví-lo, havendo uma conexão afetiva e intuitiva.

Qual é a importância de ser empático?

A empatia leva as pessoas a se ajudarem. Liga-se intimamente ao altruísmo (amor e interesse pelo próximo) e à capacidade de ajudar. Quando alguém consegue se colocar no lugar do outro, sentindo ou compreendendo sua dor ou sofrimento, consegue despertar a vontade de ajudar e de agir com generosidade.

É comum escutarmos a frase “ocorreu uma empatia imediata entre nós”, o que significa que houve um grande envolvimento, uma identificação instantânea, que foi um contato prazeroso e satisfatório, com compatibilidade.

Mas como ser empático? Para isso, é necessário deixar o egocentrismo de lado. Atitudes egocêntricas, neste caso, seriam o fato de entender o outro baseando-se nas próprias opiniões e concepções, e não do ponto de vista da outra pessoa.

Nem sempre estamos certos ou errados, ou somos assertivos em nossas decisões. As decisões que tomamos nem sempre são as melhores para outras pessoas, mas o egocêntrico considera que suas decisões devem ser iguais para todos que o cercam. Já a pessoa empática, sabe que nem sempre o que pensa deve ser seguido por todos e que nem todos devem pensar da mesma forma.

O apático, neste caso considerado o oposto do empático, é aquele que não expressa sentimentos, que não se emociona com as vivências dos outros. Então, a empatia é aquela que é detentora de sentimentos e emoções, capaz de sentir e perceber como a outra pessoa está. A pessoa apática não possui essas características enraizadas em sua essência.

Existem pessoas que têm facilidade natural, em sua essência, de agir como já foi descrito acima, mas há outras pessoas que têm mais dificuldade ou são incapazes disso.

Parte fundamental para ser empático, é ter a capacidade de reconhecimento de emoções, em termos de tristeza, alegria, medo, angústia. Muitas pessoas são capazes de identificar rapidamente o estado emocional de uma outra pessoa, assim como muitas não conseguem fazer isso nem que esteja bem na sua frente.

Existe uma parte mais cognitiva da empatia, influenciada por variáveis como a familiaridade/proximidade que temos com a pessoa que expressa a emoção, o grau de cansaço em determinado momento, o nível de estresse, a predisposição comunicativa, entre outros diversos fatores.

Entre os aspectos positivos da empatia, estão a maior facilidade na comunicação, conforto, auxílio na resolução de problemas. Porém, aspectos negativos também podem estar envolvidos, como viver continuamente dando conta de tudo pelos outros, o que pode gerar uma desconexão emocional com nós mesmos, deixando de cuidar das nossas próprias questões. Ou seja, é excelente praticar e treinar a ação mental de nos colocarmos no lugar do outro, mas sem esquecer que a outra pessoa é que está naquela situação, sem cairmos permanentemente nela. Cuidamos de nós mesmos para estarmos inteiros para o outro.

Como podemos ser empáticos?

  • Saber ouvir e compreender os sentimentos do outro sem estar tão dependentes de nossos julgamentos e das nossas próprias palavras;
  • Quando, além de palavras de conforto, também demonstramos afeto com um abraço, um beijo ou um carinho;
  • Ao ajudar alguém que esteja passando por um problema, por exemplo, com o nosso senso de humor ou de outras formas. Aqui, o bom humor é diferente de uma piada ou uma brincadeira que poderiam chatear ou gerar mágoa;
  • Quando tentamos acalmar o outro, nos expressando com delicadeza, generosidade e cortesia.
  • Quando não mostramos aborrecimento, irritação e cansaço diante daquilo que é importante para aquele que fala sobre;
  • Quando fazemos com que alguém não se sinta sozinho, mostrando que os entendemos.

Mas também podemos não ser empáticos, com atidudes como: acreditar que os nossos problemas são os únicos que existem no mundo e os dos outros não têm a menor importância; julgar e fazer comentários que machucam; não oferecer um sorriso, um gesto amável ou atitudes carinhosas; fazer sempre algo pelos outros na esperança de receber algo em troca.

A empatia é uma ótima habilidade que deve ser colocada em prática, pois permite relações mais compreensivas, de cumplicidade e generosidade. Pratique!